sexta-feira, 29 de março de 2013

Pastor manifesta indignação sobre listas da CGADB



Recebi o email abaixo do pastor Leoclides Milton Arruda, associado à CGADB sob o número 17891, no qual manifesta a sua indignação pelas notícias que lhe chegam, algumas delas através deste blog, acerca do imbróglio envolvendo as indigitadas inscrições para a AGO em Brasília. Sob sua autorização, resolvi publicá-lo por entender que expressa o sentimento de milhares de outros que não dispõem de algum espaço para se manifestar.

Leia na íntegra:

"Brasília, 20 de março de 2013

"Prezado Pastor Geremias do Couto,

"Tenho acompanhado seus comentários no Blog: http://geremiasdocouto.blogspot.com.br/ e decidi me pronunciar.

Há um adágio popular que diz: quem conta um conto aumenta um ponto.  No caso específico não se trata de conto, nem gostaria de ter o ponto. O que pretendo é tão somente registrar também minha profunda inquietação e porque não dizer indignação sobre os acontecimentos envolvendo a CGADB.

"Hora de rememorar:

"Seria oportuno lembrar que as alterações introduzidas no Estatuto da CGADB, a partir da AGE realizada em Porto Alegre-RS, há algum tempo, visava dar um basta ao processo nada transparente nas eleições dessa entidade.

"Entre as alterações estatutárias aprovadas estava um novo sistema eleitoral que a partir de então deveria ser conduzido por uma Comissão Eleitoral, escolhida por sorteio, isenta, idônea, etc.

"Esses avanços produziram em nós uma sensação de conquista para resgate da tão sonhada credibilidade no processo eleitoral. Acreditávamos que não seria mais possível manobras eleitorais, dignas de inveja do mais ardiloso grupo político que se tenha conhecimento.

"Mas acreditem é possível. As mal famadas  manobras continuam.
 
"Tenho lido, revisto a situação que envolve o processo eleitoral e no meu prisma há fortes indícios de manipulação de dados.
 
"Como é possível o Presidente da Comissão Eleitoral dizer que a data de encerramento das inscrições coincidiu com os feriados de final de ano, e por essa razão a demora na divulgação de listagem de inscritos, como se estes, os feriados, não estivessem desde sempre em nosso calendário?

"O que talvez poucas pessoas saibam é que o fato do prazo de inscrições ter culminado com o final do exercício corroboraria para agilização da coleta das informações de inscritos, pois no sistema bancário brasileiro nenhum documento deve permanecer nas câmaras de compensação após o dia 31 de dezembro, havendo sido liquidado naquele exercício.

"Ora, esse fato deveria ser o ponto chave para a Comissão Eleitoral exigir da Secretaria e Tesouraria da CGADB a imediata publicação dos inscritos, objetivando assim afastar de vez qualquer suspeição ao processo eleitoral.

"Em 31/12/12 ou no mais tardar em 02/01/13 qualquer banco que opera no Brasil, mesmo que fosse um tamborete, quanto mais o Banco Itaú, já detinha as informações de que necessitava a Comissão Eleitoral para promover o inicio de um processo eleitoral transparente. Mas ao que tudo indica, dobrou-se à pressão da máquina que comanda a CGADB.

"Os eventos afrontam a intelectualidade do corpo de pastores que compõe os quadros da CGADB.

"Entre os ministros filiados a esta convenção, temos: Juízes, Promotores, Desembargadores, Advogados, Engenheiros, Economistas, Administradores, Bancários, Professores, Médicos, Programadores em Computação, Cientistas, Pedreiros, Engenheiros, Teólogos, etc. Arriscar-me-ia a dizer que mais de 90% das profissões constantes do Cadastro Brasileiro de Ocupações – CBO estão representadas nos quadros de associados da CGADB.

"Mesmo sabendo da formação intelectiva sinto como se as ações da Comissão Eleitoral nos agredisse, sendo complacente com atos vergonhosos que apontam possante manipulação de dados como os que estamos presenciando.

"Tenho na mais alta consideração todos os membros da Comissão Eleitoral, mas lamento que não tenham atentado para a responsabilidade desse serviço. Tivemos noticia de que alguns membros lá não estavam em 28/12/12 para acompanhar o encerramento de importante trabalho, (se é que foram convocados).

"Parece que o caos está instalado. Tem ministro que pagou e seu nome não aparece na lista. Outros que não fizeram inscrição e figuram lá. Aqueles que por direito adquirido, os jubilados, tiveram seus nomes misteriosamente retirados, sem a explicação devida.

"A menos que a Comissão Eleitoral divulgue a listagem de nomes dos inscritos no momento em que fora extraído o extrato das dezenove horas do dia 28/12/12, quando se constatou que já havia sido contabilizado 22.268 boletos pagos, a credibilidade dessa Comissão Eleitoral estará comprometida.

"Que vergonha! Quando se prolata em todo o país uma Lei que trata do Acesso à Informação como sendo direito de todos, na contra-regra, foi preciso buscar a tutela jurisdicional para obter tal direito, através de liminar.

"Mais pasmado fiquei quanto ao conteúdo argüido no intuito de cassar aquela cautelar...

"Por fim encerro meu desabafo buscando na Palavra a certeza de que não se deve duvidar na capacidade de promover a mudança através de um povo que foi forjado pelo principio bíblico que diz: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. II Timóteo 1:7”. De 8 a 12 de abril acontecerá a 41ª AGO. Eu estarei lá e farei a minha parte, votando a favor das mudanças na CGADB. Conclamo a todos que meditem e façam o mesmo.

"Um abraço,

"Pastor Arruda".

quarta-feira, 27 de março de 2013

Comissão da CGADB explica eleição em Brasília

Pastor William abre
mão de sua candidatura
Nesta terça-feira pela manhã, dia 26 de março, realizou-se na sede da CGADB reunião entre a Comissão Eleitoral e candidatos ao próximo pleito em abril ou seus representantes para explicar como será o processo de eleição, que terá lugar no dia 11 do próximo mês, no Parque de Exposições da Cidade. Entre os assuntos tratados, foi apresentada a carta em que o pastor William Silva Iack resigna de sua candidatura, entregue em  mãos pelo proprietário deste blog, constituído pelo próprio seu bastante procurador para o ato.

Entre os motivos alegados, ele disse que, embora tivesse profundo desejo em tornar-se uma alternativa de mudança, na mesma linha das propostas da Terceira Via, e tenha recebido bastante adesões em todo o Brasil, como mostram as diversas enquetes nas redes virtuais, entendeu ter cumprido o seu papel por acreditar que tais propostas "não deixarão de ser levadas em consideração, nas decisões que vierem a ser tomadas no âmbito da CGADB". Com a decisão, os concorrentes ao cargo de presidente da CGADB serão apenas os pastores José Wellington Bezerra da Costa e Samuel Câmara.

O pastor Antonio Carlos Lorenzetti de Mello, presidente da Comissão Eleitoral, conduziu a reunião e apresentou os esclarecimentos que entendeu serem necessários sobre o processo eleitoral, não sem antes admitir as muitas falhas detectadas nas listas de inscrições, como insistentemente temos publicado. Embora assumindo parte da culpa, sem admitir possíveis fraudes e também sem entrar no mérito jurisdicional, ressalvou que a Comissão Eleitoral só fez receber da Secretaria as listas prontas para serem publicadas, segundo o Regimento Interno, cabendo a ela, juntamente com a Tesouraria, fazer os filtros dos boletos do Banco Itaú à luz da lista de associados da CGADB, sem que a Comissão tenha qualquer responsabilidade sobre os procedimentos. Ou seja, parece que o jabuti já estremeceu na árvore. Diga-se de passagem que a CGADB conta hoje com 70525 nomes, dos quais cerca de 55.000 ativos.

A eleição desta vez não será por urnas eletrônicas. O TRE estaria impossibilitado de fornecê-las por estarem sendo aprimoradas com a implantação do sistema biométrico para as próximas eleições. Com isso, a votação será manual, através de cédulas, com urnas tradicionais em que serão depositados os votos. Haverá 126 mesas receptoras, cada uma com um presidente, dois mesários, dois secretários e um suplente. Serão utilizadas duas urnas em cada seção: na urna de número um serão depositados os votos para presidente, 1° vice-presidente, 2° vice-presidente, 3° vice-presidente, 4° vice-presidente, 5° vice-presidente, 1° secretário, 2° secretário, 3° secretário, 4° secretário e 5° secretário; na urna de número dois serão depositados os votos para 1° tesoureiro, 2° tesoureiro e os cinco membros do Conselho Fiscal de acordo com as suas respectivas regiões. O processo eleitoral se iniciará às 8:00 horas e se encerrará às 17:00hs, horário em que, se ainda houver eleitores nas filas, estes receberão senhas para votar.

O processo de apuração dos votos também contará com 126 mesas apuradoras, cada uma composta por cinco membros, sendo um deles constituído como presidente. A contagem sempre começará pela urna um e terminará pela urna dois, o que certamente possibilitará conhecer o nome do presidente eleito antes dos demais nomes. Ao final de cada apuração, a mesa enviará o mapa eleitoral com os votos apurados para a junta totalizadora, que se responsabilizará por inserir os dados no sistema até chegar ao resultado final da eleição. Os eleitores terão acesso aos resultados parciais através de telões espalhados em locais já definidos.

Outra novidade desta AGO é que os inscritos só terão acesso ao plenário mediante o crachá eletrônico. Haverá catracas nos locais de entrada que só serão liberadas quando o convencional passar no local indicado o seu crachá de identificação. Embora não esteja previsto no Regimento Interno, ele também será usado para as votações das matérias em pauta, tendo em vista o grande número de votantes. Cabe, no entanto, ressaltar que não só o sistema de totalização dos votos, como também o sistema de acesso ao plenário e de votação das matérias precisam ser previamente auditados, com a presença de representantes das duas chapas, pois ninguém desconhece que podem ser fraudados, como já aconteceu no painel do Senado, sem que com isso queira se por em dúvida a lisura da Comissão Eleitoral. Mas até para preservá-la é importante que haja esse auditamento.

Presenciei, também, alguns senões, mas me reporto apenas a dois deles. O primeiro foi quando o presidente da Comissão Eleitoral recebeu a carta-renúncia do pastor William Silva Iack e se expressou de forma inapropriada, dizendo que conversara com o próprio e que ele realmente manifestara o desejo de ser candidato, como uma terceira via, e não um "step", como alguns chegaram a sugerir. Foi quando o pastor Nilson Alves Filho pediu a palavra para esclarecer que como terceiro candidato à 5ª secretaria não se considerava um "step". E acrescentou: "Bom seria que houvesse a terceira via, a quarta via, a quinta via e assim por diante".

O outro senão foi que, enquanto aguardava ser chamado, na recepção, para o início da reunião, ao lado de outros que lá estavam também aguardando, presenciei a chegada de quatro pastores que procuraram setores da CGADB para tratar de assuntos referentes à documentação. Na saída, todos tinham em mãos um marcador de bíblia com propaganda da chapa "Amigos do Presidente". Ao final da reunião, outro pastor já tinha mencionado o fato, mas pedi a palavra para informar que eu mesmo tinha presenciado e solicitei providências para que isso não volte a acontecer, pois, segundo o Estatuto, trata-se de conduta vedada. Mas, aqui para nós, tenho as minhas dúvidas.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Justiça reverte decisão que favorecia a CGADB

Crédito: Tiago Bertulino
Fugindo à regra jornalística, à qual impõe dar já no próprio lead a notícia para só depois discorrer sobre ela, prefiro iniciar com a citação de 1 Coríntios 6.5, já mencionada em outras postagens: "Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?" Considero este verso a chave hermenêutica para se entender toda a passagem em que o apóstolo Paulo adverte aquela igreja em razão de muitas causas internas serem julgadas pelos tribunais seculares. Por que isso ocorria? A pergunta paulina pressupõe algumas possibilidades: 1) os líderes não se interessavam por essas questões; 2) eles se achavam incapazes de arbitrar entre os litigantes, ou 3) tinham interesses particulares que os impediam de julgar com imparcialidade. No vácuo dessa ausência, só restava aos crentes abrigar-se à sombra de juízes não cristãos para dirimir os seus conflitos.

É assim que vejo o imbróglio envolvendo as inscrições para a AGO da CGADB em Brasília, que até hoje não se resolveu pelos caminhos do diálogo entre as partes envolvidas porque em nenhum momento os responsáveis pela condução do processo quiseram fazer algo simples, solicitado desde o início pela chapa concorrente, bem como por este blog, através das vias do companheirismo, que foi abrir a conciliação bancária  e cotejá-la com as três listas oficiais publicadas, todas com números diferentes, que não batem sequer com a extraoficial entregue ao pastor Samuel Câmara às 19:20hs do dia 28 de dezembro de 2012, com um detalhe já mencionado aqui outras vezes: algumas convenções formalmente apoiantes da chapa "Amigos do Presidente" tiveram os seus números aumentados de uma para a outra. O que fazer? Para ficar com Paulo, que não deixou de ser irônico quando se pronunciou da forma acima, por falta de "sábios, nem mesmo um" entre os responsáveis pelo processo, o recurso foi recorrer à Justiça, que existe para arbitrar e trazer os fatos para o leito da normalidade, quando provocada.

Dito isto, embora o Segundo Grau em Belém, PA, tenha agravado a liminar impetrada pela CIMADB, pedindo a conciliação bancária, e suspendido os seus efeitos, o ato aí ficou restrito, sem julgamento de mérito. Enquanto isso, no Primeiro Grau, a juíza Elena Farag, a mesma que concedeu a liminar, julgou hoje o mérito da ação, no processo de número 0012411-30.2013.814.0301, depois de ouvidas as partes, e determinou o cumprimento da sentença, que determina a exibição pela CGADB dos documentos solicitados, no prazo de 48 horas, a partir da publicação da decisão, "tendo em vista a iminente realização do pleito já definido para os dias 08 a 12 de abril de 2013". Em suas alegações, a juíza afirmou que "as provas constantes dos autos são suficientes para a formação do convencimento do juízo de convicção".

Não custa repetir que a Justiça do Amazonas também concedeu liminar na mesma direção ao pastor Samuel Câmara, na qual ainda estabelece que o Conselho Administrativo da CPAD só seja eleito após a eleição da Mesa Diretora da CGADB, corrigindo o hábito de elegê-lo antes, que se tornou comum nas últimas assembleias, como instrumento de articulação para aglutinar votos em favor da chapa representada pelos que detêm o comando da administração. Mantida a liminar, a chapa "Amigos do Presidente" não poderá contar com esse recurso, como também a chapa "CGADB Para Todos".

Por fim, embora o jabuti teime em permanecer na árvore, fico a me perguntar até com certa frustração: Por que a CGADB insiste em gastar elevadas somas de dinheiro dos associados para custear passagens de advogados, com a finalidade de derrubar tais liminares que só querem a transparência do processo? Há alguma coisa que não pode ser tornada pública? Há algo que não pode sair do restrito grupo que controla a situação? Ou o presidente prefere dar ouvidos a assessores que querem pôr, ainda, mais lenha na fogueira? Ou o interesse é mesmo esgarçar a corda até ela se arrebentar para elevar o nível de tensão? O que há, pergunto mais uma vez?

Se em janeiro nossas sugestões fossem ouvidas, tudo já teria sido resolvido. Mas parece que não há "sábios, nem mesmo um" pelas bandas da Avenida Vicente de Carvalho 1083.

sexta-feira, 22 de março de 2013

CGADB continua obrigada a dar conciliação bancária

Decisão do Tribunal de Justiça do Pará não
desobriga CGADB de abrir conciliação bancária
O Tribunal de Justiça do Estado do Pará, em decisão monocrática concedida pelo Desembargador Leonam Gondim da Cruz Junior, da 3ª Câmara Cível Isolada, suspendeu hoje a liminar com tutela antecipada deferida pelo juízo de primeira instância em favor da CIMADB, que solicitava o acesso a todos os documentos relacionados ao número de inscritos à próxima AGO da CGADB, como já noticiado neste blog. O Desembargador acatou as alegações da defesa quanto à falta de fundamentação para a concessão do instrumento, bem como aduziu que a concessão de tutela antecipada seria mais adequada em ação principal e não através de medida cautelar. Resta saber se a CMADB recorrerá ao Terceiro Grau, em Brasília, DF, para derrubar a decisão de Segundo Grau e manter a liminar da Primeira Instância, nos termos em que foi impetrada.

No entanto, a decisão da justiça paraense nada muda, por enquanto, visto que ontem mesmo, como noticiei aqui,  a  juíza Joana dos Santos Meirelles, da 1ª Vara Cível de Manaus, AM, deferiu liminar impetrada pelo pastor Samuel Câmara, concedendo ao autor o mesmo acesso que foi hoje negado à CIMADB pelo Segundo Grau em Belém. A decisão de Manaus mantém, portanto, o acesso a lista de todos os convencionais aptos a votar no pleito de 8 a 12 de abril de 2013, na cidade de Brasília/DF, que estavam inscritos até o dia 28/09/2012, bem como a lista de débitos de anuidade dos filiados em 28/09/2012 e prova bancária (conciliação bancária) dos convencionais que efetivamente pagaram suas inscrições e anuidades até 28/12/2012", além da multa de R$ 50.000,00 por dia, no caso de descumprimento da decisão. Ou seja, a CGADB permanece obrigada a fornecer a conciliação bancária.

Pelo rumo das coisas, a CGADB, ao invés de abrir os seus números - quem não deve não teme - prefere o caminho do embate, esgarçando ainda mais o tecido da já combalida rede assembleiana. É certo que ela tentará derrubar a liminar de Manaus, AM, só que uma das alegações usadas pela defesa em Belém já não poderá ser usada no Amazonas. Nos autos os advogados disseram que a CIMADB não era associada à CGADB, mas filiada e sequer participaria, como instituição, da AGO em Brasília. Na liminar de Manaus o peticionário é associado da CGADB e, além disso, candidato a presidente na chapa concorrente, procurando se preservar de possíveis danos, caso haja irregularidades na lista oficial de inscritos já divulgada.

Como se vê, o jabuti teima em permanecer na árvore. Por outro lado, continua a ecoar a pergunta de Paulo aos líderes da CGADB: "Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre os seus irmãos?", 1 Coríntios 6.5.

PS. O que o Centenário não fez, a política eclesiástica faz: o pastor José Wellington Bezerra da Costa esteve, hoje, no Brás, SP, por ocasião da 39
ª AGO da CONAMAD de mãos dadas com o Bispo Manoel Ferreira.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Conselho da CPAD será eleito após eleição da Mesa

A prevalecer a liminar, Conselho da CPAD só
será eleito após a eleição da  Mesa  Diretora da CGADB
Nova liminar deferida nesta terça-feira, dia 19 de março, em Manaus, AM, em atendimento à petição impetrada pelo pastor Samuel Câmara, determina que a eleição dos membros do Conselho Administrativo da CPAD só seja feita após a eleição da Mesa Diretora, prevista para ocorrer no dia 11 de abril. Se a decisão for mantida, volta-se a uma prática comum nas AGOs do passado em que o presidente do Conselho só era eleito após a escolha do novo presidente da CGADB.

Segundo a juíza que proferiu a decisão, Joana dos Santos Meirelles, da 1ª  Vara Cível, "o fumus boni iuris está delineado nos argumentos e documentos que instruem o processo, que cristalinamente demonstram a verossimilhança das alegações". Ela também acrescenta que o periculum in mora "está devidamente comprovado, visto que a demora na prestação jurisdicional poderá acarretar grave prejuízo ao autor".

A mesma liminar, tal qual a que foi deferida em Belém, determina, ainda, que o autor tenha acesso "à lista de todos os convencionais aptos a votar no pleito  de 8 a 12 de abril de 2013, na cidade de Brasília/DF, que estavam inscritos até o dia 28/09/2012, bem como a lista dos débitos de anuidade dos filiados em 28/09/2012 e prova bancária (conciliação bancária) dos convencionais que efetivamente pagaram suas inscrições e anuidades até 28/12/2012". O juízo cominou a multa de R$ 50.000,00 por dia, no caso de descumprimento da decisão.

Segundo fontes bem informadas, na outra liminar de Belém, ademais de a CGADB ter peticionado a dilatação de prazo para a apresentação dos documentos requeridos (veja aqui), ela estaria, também, tentando derrubá-la, enquanto, ao mesmo tempo, os advogados da CIMADB entraram, hoje, com novo requerimento em que procuram demonstrar a fragilidade dos argumentos apresentados pela defesa da CGADB, para não atender no prazo a decisão do juízo, e requer busca e apreensão dos documentos solicitados, bem como que a CGADB seja condenada por litigância de má-fé.

Há também informações que dão conta que outras liminares de diversos pastores dos mais diferentes estados estariam dando entrada a partir de amanhã para garantir o seu acesso ao plenário convencional, já que teriam pagado as respectivas inscrições, mas os seus nomes não estariam constando na lista final de inscritos. Soube, também, que os autores de um processo, que já dura alguns anos, em que pedem o relatório circunstanciado da contabilidade da CGADB, entre eles Eraldo Cavalcante Passos, Moisés de Melo Ambrósio, Martinho Lutero Monteiro e Carlos Alberto Farias, teriam sido intimados para depor hoje, enquanto os membros da Mesa Diretora estariam sendo convocados para dar o seu depoimento entre quinta e sexta-feira.

O Jabuti continua lá. Até quando?

terça-feira, 19 de março de 2013

CGADB pede novo prazo para cumprir liminar


Parece que o jabuti não quer sair da árvore de jeito nenhum. Ou não querem mesmo tirá-lo de lá. Apos ter sido citada no dia 13 de março, às 13:30hs, quanto à liminar com tutela antecipada deferida pela juíza Elena Farag, da  9ª Vara Cível de Belém, PA (veja aqui) para apresentar em 48 horas todos os documentos solicitados nos autos, que esclareçam de vez o número de inscritos à AGO de Brasília, a CGADB, através de seus advogados, entrou com uma petição, no dia 14 de março, em que requer a dilatação do prazo por mais 30 dias, a partir da citação, para cumprir as exigências do juízo, o que significa protelar a decisão judicial para depois das eleições, caso a juíza acate o pedido, o que, a meu ver, embora leigo no assunto, não será atendido.

As alegações são de que não haveria tempo suficiente para apresentar os documentos no prazo requerido, porque, segundo a defesa, "não depende unica e exclusivamente das diligências e buscas tão somente da requerida CGADB, mas também e, indispensavelmente, de informações da instituição bancária (Banco Itaú), do presidente da Comissão Eleitoral, do departamento de finanças e secretaria da requerida, bem como da confrontação de mais de 24 mil inscrições e da reunião de documentos, dos quais boa parte não estão em poder dela requerida". Para piorar as coisas, a defesa alega que os membros da Comissão Eleitoral são voluntários e residem em diferentes partes do país, dando a entender da dificuldade de convocá-los, além de o seu presidente, pastor Antonio Carlos Lorenzetti de Mello, estar em viagem ao exterior.

Percebe-se com bastante clareza que os motivos alegados carecem de fundamento e podem até caracterizar litigância de má-fé pelas razões que passo a listar:

1) Desde janeiro essa solicitação para que se coteje a conciliação bancária com o número de inscritos tem sido insistentemente feita pela chapa concorrente ao mesmo tempo em que tem sido insistentemente negada. Ou seja, não é por falta de tempo que os documentos não teriam sido reunidos. Eles têm de estar, necessariamente, na sede da entidade. O óbvio é que teria faltado mesmo interesse.

2) É absurdo alegar que a CGADB, para atender à determinação do juízo, dependa de informações que só podem ser dadas pela instituição bancária, visto que ela - a CGADB - só poderia fechar o número definitivo de inscritos, no prazo legal previsto pela Resolução 01/12, de posse desses dados fornecidos pelo Banco no qual os boletos foram pagos. Se esses números foram fechados sem essas informações, aí que o processo degringolou de vez. Ou seja, é de se pressupor que desde janeiro os dados bancários estejam de posse do departamento de finanças da CGADB.

3) Quando se alega, também, que a CGADB precisa recolher informações de seu departamento de finanças e da secretaria para cumprir a liminar, mais uma vez a defesa usa um argumento inconsistente, posto que ambos os departamentos funcionam na sede da requerida, têm funcionários suficientes ao seu dispor e vêm trabalhando nas inscrições desde quando elas foram abertas. O lógico é que os documentos estejam lá, como já disse acima, à disposição, para serem consultados a qualquer momento. Ou ambos os departamentos são ineficientes.

4) Alegar, a 20 dias da AGO, que os membros da Comissão Eleitoral são voluntários e residem em diversas regiões do país, daí a dificuldade de reuni-los, é outra grave disparidade. Às vésperas de um evento da grandiosidade do que se realizará em Brasília, com cerca de 24 mil inscritos, ela deveria estar de prontidão para reunir-se quantas vezes fosse necessário, principalmente para dirimir todas as questões atinentes ao processo eleitoral. Ou ela tem estado alheia ao processo? Se for o caso, os seus membros precisam pôr a boca no trombone. Fico também sem compreender porque o seu presidente, pastor Antonio Lorenzetti de Mello, no momento mais crucial do processo, se exime de suas responsabilidades em viagem ao exterior. Mas não custa nada perguntar: a Comissão Eleitoral não tem vice-presidente?

Já ouvi, aqui e ali, reclamarem que esses casos não deveriam ser levados às barras dos tribunais. Em tese, concordo. No entanto, como cresci nos fundos de igreja e conheço bem os bastidores, não é de hoje que muitos problemas internos só são arbitrados pela justiça. Muito acertadamente citam a recomendação de Paulo à igreja de Corinto, mas se esquecem que ali, naquele texto, a exegese correta mostra uma moeda com dois lados: se não é conveniente buscar a justiça secular, a igreja precisa, por outro lado, estar preparada para julgar as próprias causas. Ora, quando não se satisfaz a segunda premissa, a primeira acabará também não sendo satisfeita.

É o que ocorre no caso em tela. Em nenhum momento a CGADB se dispôs a atender as solicitações da chapa concorrente, baseadas em alegações consistentes, como, por exemplo, os cerca de três mil pastores inscritos, cujos nomes não apareceram na primeira lista oficial; os números sempre a maior de algumas convenções formalmente apoiantes da chapa da situação, nas três listas oficiais publicadas, e a discrepância geral dos números em todas elas. Já disse aqui em outra postagem e repito: o certo era a Comissão Eleitoral reunir-se com representantes de ambas as chapas, apresentar a conciliação bancária, na forma como veio do Banco, confrontá-la com a lista de inscritos e, juntos, chegarem a um denominador comum. Fácil. Muitíssimo fácil! A verdade é que a CGADB não se mostrou capaz (ou não teve interesse) de cumprir a segunda premissa de Paulo: "Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre os seus irmãos?", 1 Coríntios 6.5. Em não havendo, a primeira premissa ficou prejudicada.

Peca, ainda, a defesa quando alude ao artigo 808 do CPC e seu inciso II para fundamentar o seu pedido de protelação. Ali a premissa é outra, não é no sentido de protelar. O pressuposto é que a medida cautelar perde a eficácia se não for executada em 30 dias. É uma especie de alerta ao próprio juízo para evitar cair nas filigranas jurídicas de caráter protelatório.

Veremos como se pronunciará o juízo. Mas que querem deixar o jabuti na árvore até depois das eleições, isso querem!

Veja os fac-símiles da petição:



sexta-feira, 15 de março de 2013

VINACC lança Carta exortando os cristãos a não se conformarem com este século



Milhares de pessoas de todo o Brasil participaram da 15ª Consciência Cristã

A VINACC – Visão Nacional Para a Consciência Cristã – promotora do Encontro Para a Consciência Cristã há 15 anos em Campina Grande-PB, lançou, nesta sexta-feira (15/03), uma carta endereçada aos evangélicos brasileiros, exortando-os a não se conformarem com este século, conforme mensagem do apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 12, versículo 2.
A Carta é resultado de obervações feitas durante as sete ministrações noturnas do XV Encontro Para a Consciência Cristã, realizado de 6 a 12 de fevereiro de 2013, pelos pastores: Hernandes Dias Lopes, Geremias do Couto, Renato Garcia Vargens, Aurivan Marinho, Mauro Meister, José Bernardo e Ricardo Bitun.

Eis a carta na íntegra:

Não vos conformeis
Carta da 15ª Consciência Cristã


A Igreja Brasileira, solidamente representada no XV Encontro para a Consciência Cristã, realizado em Campina Grande de 6 a 12 de fevereiro de 2013, incumbiu-se de avaliar a situação do movimento evangélico em nossa nação, à luz da convocação que o apóstolo Paulo fez aos crentes em Roma, para a prática da teologia que ensinou nos onze primeiros capítulos da carta que lhes escreveu: "Portanto, irmãos, rogo pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional  de vocês.  Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."

Vivemos tempos de grande inquietude para aqueles que decidiram conhecer, praticar e ensinar as Escrituras como a Palavra de Deus. Por todo lado se ouve de heresias, mundanismo, desvio e promiscuidade com toda sorte de ideias de homens: Por fraqueza e ignorância, por conveniência e prazer, por ganância e apostasia. Os lobos passeiam livremente pelo meio do rebanho e dilaceram as ovelhas e o dano que fazem nos horroriza; não podemos observá-lo passivamente. Exortamos e animamos a igreja a tomar-se de um inconformismo santo que a impulsione à mudança. Nós chamamos a noiva a encher-se de um descontentamento que a leve à transformação no íntimo, cremos que somente assim experimentaremos as coisas boas e desejáveis que Deus quer para nós.

Não vos conformeis com a amargura
A felicidade exaustivamente propagandeada nos comerciais de televisão é fugidia. De fato, vivemos em um mundo cada vez mais infeliz, amargurado, cheio de angústias, desespero e perplexidade. A infelicidade serve apenas aos mercadores de sonhos e envolve as pessoas em uma inútil e ansiosa corrida. Nesse cenário a depressão é uma pandemia que afeta a Igreja tanto quanto o mundo e enfraquece a motivação para a transformação e para o serviço. Sabemos que a alegria do Senhor é a nossa força, mas nossa alegria é roubada todos os dias: a) pelas circunstâncias, quando não conhecemos a grandeza de Deus; b) pelas pessoas, quando não exercemos o perdão; c) pelo dinheiro, quando amamos as coisas materiais; d) pela preocupação quando nos falta fé. Deixemos de lado essa tristeza mundana e abracemos a alegria no Senhor nosso Deus.

Não vos conformeis com a soberba
A arrogância do ser humano chega a tal ponto que ele se achou dono da verdade, cada um de sua própria e particular verdade. As pessoas tornaram-se tão evidentes aos próprios olhos que não podem mais enxergar o próximo e são incapazes de ver Deus. A Igreja tem sido afetada por esse orgulho, por essa vaidade, e sofrido as mesmas consequências que em Babel: Como Igreja, estamos separados, divididos, não nos entendemos e não servimos a Deus, porque estamos cultuando mais a homens e aos desejos da carne, porque estamos construindo para nossa própria glória, achando que podemos atingir o céu por nossos próprios méritos. Deus, em sua graça insuperável, poderia nos lembrar de que somos pó, mas temos fugido disso: a) quando rejeitamos o sofrimento; b) quando desprezamos o autocontrole; c) quando valorizamos nossos próprios desejos; d) quando ignoramos os planos de Deus para nós. Venha Igreja! Gloriemo-nos em nossas fraquezas, pois quando estamos fracos é que somos fortes.

Não vos conformeis com o pecado
Ló, separando-se de Abrão, escolhendo as campinas verdejantes, tão aprazíveis que se pareciam com o Jardim do Senhor, ficando cada vez mais perto de Sodoma e Gomorra e finalmente perdendo tudo, é um modelo do que acontece com a Igreja e com os crentes hoje. A cobiça dos olhos tem atraído, seduzido, gerado pecado e morte. A ganância pelas coisas materiais, pelo sucesso a todo custo, a busca insana pela aceitação do mundo e pela fama têm sido tão envolventes e ilusórias que os crentes se aproximam do pecado achando que estão encontrando a bênção de Deus. O pecado se torna aceitável e tão comum que às vezes parece obrigatório. Nesses dias chamamos a Igreja para reagir, nós a conclamamos a: a) odiar o pecado como Deus o odeia; b) fugir do pecado como Deus ordenou; c) buscar a santidade como Deus é santo; d) denunciar o pecado falando o que Deus diz sobre ele. Confiados de que temos recebido na graça os recursos para uma vida em santidade, chamamos os crentes a serem amigos de Deus, porque os amigos do mundo são inimigos de Deus.

Não vos conformeis com a igreja
Quando as igrejas estão se conformando com o mundo, não podemos nos conformar com elas. A Igreja sempre lutou contra heresias: Os judaizantes e os gnósticos no primeiro século, os ataques à humanidade ou à divindade de Cristo, a mercantilização da salvação na Idade Média, a negação da Verdade na modernidade, a contaminação da verdade na pós-modernidade. A diferença é que hoje a crise que a Igreja enfrenta é eclesial. As pessoas percebem que as igrejas têm se desviado do plano de Deus e, com isso, as abandonam e menosprezam. O inconformismo que a Palavra de Deus exige de nós nada tem a ver com essa atitude de descompromisso. A Igreja é uma instituição divina e se expressa institucionalmente. Somos chamados a enfrentar o mundanismo e o pecado dentro dela, não pelo abandono, mas lutando para que seja a Igreja que Cristo quer: a) igreja com a missão de Cristo; b) igreja com a confissão de Cristo; c) igreja com a revelação de Cristo; d) igreja com a autoridade de Cristo. Não nos conformemos! Há esperança para a Igreja do século XXI pois é Deus quem estabelece a revelação que a mantém. Portanto, trabalhemos por uma igreja que cumpra o propósito dado pelo Senhor segundo os recursos que Ele mesmo provê.

Não vos conformeis com o culto
O culto que oferecemos a Deus nesse mundo tem sido marcado pela alienação e pelo simplismo. As pessoas nos conhecem mais por nossas obrigações do que por nossas motivações, mais por nossos costumes do que por nosso pensamento. Nossa adoração a Deus não tem produzido os resultados que Deus espera de nós, em nossas vidas ou nas vidas daqueles que nos observam. Mas Deus nos chama para um culto em que nos ofereçamos continuamente em santidade ao Senhor, de modo que isso seja primeiro agradável a ele e, assim, se torne agradável a nós. Esse culto que devemos oferecer a Deus deve ser: a) fundamentado em sólido conhecimento das Escrituras; b) caracterizado pelo dar de nós mesmos; c) distinguido pela renovação de nossa mente; d) resultante na experimentação da vontade de Deus. Não nos conformemos com um culto que não seja aceitável a Deus. Seja o nosso culto um sinal da presença de Deus para todos os homens, um testemunho incontestável da graça salvadora de Deus. Ofereçamos a Ele um culto que o agrade verdadeiramente e comecemos isso, como Paulo, pelo ensino da sã doutrina.

Não vos conformeis com o silêncio
A Igreja foi chamada para comunicar o Evangelho e ensinada por Cristo a fazê-lo na pregação, no ensino, no testemunho e na representação. Como crentes em Cristo não podemos nos calar a qualquer pretexto ou em qualquer situação. Devemos obedecer a Deus primeiro, não aos homens, e responder a quem quer que questione a esperança que recebemos em Cristo. Mas a Igreja tem se calado nas escolas e universidades, nos locais de trabalho e nos lugares públicos, com os amigos e os vizinhos, às vezes com a própria família. Os crentes têm emudecido por causa das leis, para não perder os amigos ou clientes, para não perder o status ou o emprego, temendo multas e prisão. A Igreja tem sido afrontada com mentiras e calúnias, ameaçada e desprezada, e não tem sido capaz de responder, porque teme coisa que acha pior. Nesse cenário somos chamados a: a) não ter medo como as pessoas do mundo; b) não ficarmos alarmados diante da perseguição; c) termos Cristo como único Senhor, único dono de nossa vida; d) nos prepararmos para responder a qualquer pessoa que questione a esperança que temos em Cristo. Rompamos o silêncio e anunciemos o Evangelho, respondamos a qualquer pessoa e em qualquer situação, a tempo e fora de tempo!

Não vos conformeis com a morte
Muitos líderes têm deixado uma lacuna de integridade, um vazio de direção, uma ausência de paz no meio da Igreja. Nosso povo, muitas vezes está perplexo, confuso, inseguro e isso causa temor e angústia acerca do futuro da Igreja. Essa era a situação de Israel no início do livro de Isaías. O inimigo estava às portas, o pecado consumia o povo e o rei morreu deixando um trono vago. Nessa situação o profeta teve uma visão que a Igreja Brasileira também precisa ter: a) uma visão da soberania de Deus; b) uma visão da santidade de Deus; c) uma visão da miséria humana; d) uma visão dos meios para a salvação. Depois dessa visão Isaías pode ser comissionado para o ministério que denuncia o pecado e que anuncia a restauração. Diante dos problemas e dificuldades que enfrentamos na Igreja nesses dias, não podemos nos conformar com a mesmice, não podemos nos entregar à estagnação, não podemos nos conformar com uma igreja morta. Deus reina soberano, Ele é santo, Ela ama a nós pecadores e proveu meios para nos salvar, portanto, apresentemo-nos para a missão que Ele anuncia. A revelação dessas coisas deve ser continuamente enfatizada aos crentes, até que, inconformados, clamem contra o pecado e celebrem a alegria da salvação.

Aos trinta dias do encerramento do 15° Encontro para a Consciência Cristã, em 12 de março de 2013, nós reafirmamos juntos que não nos conformamos com a estagnação da presente era, antes buscamos mudança pela renovação de nossa mente.

Marco Feliciano e a Comissão de Direitos Humanos


O PT preparou a armadilha. Os "ingênuos" caíram nela. Agora, pagamos o preço. É assim que percebo o imbróglio que envolve a eleição do Deputado Federal Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Mas para tornar claro o ponto, preciso retroceder às eleições presidenciais em 2010.

Muitos devem lembrar-se que Dilma Rousseff só não ganhou no primeiro turno em virtude de seus posicionamentos anteriores em defesa do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e de seu agnosticismo, direito este, aliás, que não nos cabe questionar, pois fé é uma questão pessoal. A campanha contra ela tomou as ruas, com o aval do bispo de Guarulhos, SP, e de segmentos evangélicos que compreendem tais questões como princípios invioláveis, entre os quais me incluo.

É tanto que Dilma Rousseff teve de "reorientar" as suas convicções religiosas, para o segundo turno, ao declarar-se católica e temente a Deus, chegando mesmo a participar de uma missa e a persignar-se no Santuário de Aparecida, de forma atrapalhada, segundo os que entendem do assunto. Em relação aos evangélicos, reuniu-se com cerca de 51 líderes  (veja aqui) para afirmar que a discussão das questões acima mencionadas ficariam restritas ao Congresso Nacional e divulgou posteriormente uma carta aos evangélicos em que alinhava os seus compromissos, os quais desconstruí um por um neste blog (veja aqui). 

Enquanto isso, o PNDH 3, tal qual o jabuti na árvore, continuava a avançar nas áreas técnicas do governo (veja aqui). Mas os "ingênuos" acreditaram nas promessas. Até o Deputado Federal Marco Feliciano aliou-se em defesa da eleição de Dilma, escrevendo-lhe uma carta de apoio, onde tentou pôr na conta do PSDB a transformação de igrejas em associações, algo que jamais correspondeu aos fatos, que tive também de desmentir neste blog (veja aqui). Dilma ganhou a eleição. Mas o PNDH 3 continua lá.

Aqui chegamos à situação em que estamos hoje. Faltam dois anos para as próximas eleições presidenciais. A meu ver, o PT abriu mão da CDH para dar um discurso de tolerância ao partido e permitir que Dilma possa dizer que cumpriu o seu acordo com os evangélicos. Afinal, a maioria de seus membros pertence à fé evangélica. Os "supostos" defensores dos direitos humanos estão em minoria. A grita que fizeram talvez até já estivesse ensaiada. O que eles não contavam, provavelmente, é que ela se espalhasse pelo país e tomasse a proporção que tomou.

O fato é que Marco Feliciano continua na presidência da CDH e não acredito que saia de lá. A única coisa que precisa ficar bem esclarecida é que esse é um acordo estritamente partidário, sem qualquer aliança com as igrejas evangélicas, representadas pelos respectivos concílios e convenções, embora algumas entidades paraeclesiásticas progressistas tenham também assumido para si a campanha de tentar defenestrá-lo da posição. Vale ressaltar, no entanto, que as decisões no âmbito da Câmara dos Deputados se regem por normas regimentais e pelos acordos partidários, onde as questões religiosas não entram em jogo. Seria um ato antidemocrático e intolerante se as pressões dos grupos "gaysistas" prevalecessem para impedir que Marco Feliciano assumisse a presidência por ser pastor e defender posições contrárias. Afinal, qualquer parlamento representa a média do pensamento do país. Não se deve também deixar de levar em conta que o Deputado foi legitimamente eleito por cerca 210 mil votos.

Creio que o episódio precisa ficar restrito ao campo político, sem transbordar para outras áreas. Protestos fazem parte do jogo democrático. Dentro dos limites da lei, é óbvio. Todavia, quando grupos organizados vão promover suas algazarras na frente dos templos onde o pastor Marco Feliciano faz as suas pregações, isto não só ultrapassa os limites do bom senso, como interfere de forma ilegal no princípio da inviolabilidade de culto. É um ato ilegal que precisa ser punido com o rigor da lei. Cabe, por outro lado, o mesmo princípio para muitos de nós que, sob o pretexto de evangelizar, invadimos espaços de outras fés religiosas e não queremos ser cobrados pela mesma violação.  Acho, também, que quanto mais entramos em discussões acaloradas com os grupos "gaysistas", mais damos a eles os espaços que querem para aparecer. Sou de opinião que o melhor é defendermos o que cremos e, ao mesmo tempo, ignorá-los.

Com isso, quero dizer que a decisão tem de ser discutida no âmbito em que ela foi tomada e não trazida para o terreno da fé, com o intuito de produzir uma guerra religiosa, o que mais querem os radicais do autoritarismo esquerdista para apimentar o seu discurso em favor da restrição da liberdade. Sei que o pastor Marco Feliciano, desde a eleição de Dilma Rousseff, tem sido mestre em frases desastradas. Uma de suas pérolas foi esta: "Nesse regime não vai ter assassinato de criança [em referência ao aborto], não vai ter maldades nesse regime (sic). Vou repetir o que os petistas me disseram: 'vamos primar pelos costumes cristãos deste país.  O Brasil continuará cristão" (veja aqui). É muita "ingenuidade" numa pessoa só! Mas a sua escolha para a presidência da CDH é unicamente da alçada de seu partido e dos demais que concordaram com todos os procedimentos, inclusive o PT, pelo que, a meu ver, são as razões de fundo já descritas acima. Quanto as posições que ele e outros parlamentares evangélicos defendem, no campo dos valores morais, são também as minhas. Mas soa contraditório para esses mesmos parlamentares estarem com um pé numa canoa e o outro noutra. No fundo, o PT os deixou numa saia justa.

Espero, por fim, que esse episódio tenha servido de lição para o Deputado Federal Marco Feliciano, no sentido de que ele ouça mais e fale menos, principalmente quanto as inconsistências que têm permeado os seus discursos. Tudo na vida tem sentido pedagógico. Basta queremos aprender. Só não podemos deixar que a armadilha do PT prospere para as próximas eleições presidenciais.

domingo, 10 de março de 2013

Liminar obriga CGADB a abrir conciliação bancária


Como este blog previu, a confusão das listas de inscritos para a AGO da CGADB em Brasília, DF, se tornou o imbróglio mais complicado, pelo menos até agora, antes da realização do evento em abril. Uma liminar deferida pela juiza Elena Farag, da 9ª Vara Cível de Belém, PA, em ação impetrada pela CIMADB - Convenção da Igreja Mãe das Assembleias de Deus em Belém, presidida pelo pastor Nelson Cardoso, sob o número 0012411-30.2013.814.0301, garante ao impetrante, em concessão de tutela antecipada, o acesso a todas as informações sobre os procedimentos adotados pela CGADB para a inscrição dos pastores associados.

O despacho da juíza determina que a CGADB "
exiba a cópia de toda a lista de inscritos pelo sistema da Tesouraria e Secretaria da CGADB até a data de 28.12.2012; o Livro de Caixa da Tesouraria, informando o fluxo de caixa no período de 01.01.2012 até 10.01.2013 referente a arrecadação de anuidades permitindo saber se existe algum inadimplente figura na listagem de associado apto a participar da 41ª AGO; retorno do Banco (conciliação bancária) fornecida à CGADB pelo Banco Itaú, agência 0782, conta corrente 76189-4, na forma física como de forma digital, mencionando a quantidade boletos efetivamente pagos com seus respectivos valores, bem como sua liquidação, no período de 01.11.2012 à 05.01.2013; as 3(três) ultimas listas publicadas até a presente data pela Comissão e, ainda, a CITAÇÃO, por Via Precatória, da parte ré para, querendo, contestar o pedido, nos termos do art. 802 e 803 do CPC".

Segundo fontes bem informadas, a CGADB já teria sido citada na tarde desta sexta-feira, com o prazo de 48 horas para manifestar-se a respeito, sob pena de incorrer em pagamento de multa diária "no valor de R$ 5.000,00 (Cincos Mil Reais) até o limite de R$ 100.000,00 (Cem Mil Reais)" pelo descumprimento da decisão. A juíza afirma que a concessão dos efeitos da tutela decorre, entre outras razões, do pedido da parte legitimada, a CIMADB, da prova inequívoca dos fatos e do receio de dano irreparável ou de difícil reparação ou abuso no direito de defesa ou manifesto propósito protelatório, os quais, segundo ela, são "elementos de prova trazidos aos autos, que demonstram satisfatoriamente a existência dos requisitos autorizadores".

A meu ver não se precisava chegar a esse ponto. Sobre isso darei a minha opinião noutra postagem. Mas a publicação de diferentes listas, todas com números diferentes uma da outra, e a insistência dos responsáveis pela condução do processo eleitoral em não abrir a conciliação bancária à chapa concorrente, para, de forma isonômica, chegar-se aos números definitivos, só podia ensejar na intervenção da justiça para que em Brasília essas questões não prejudiquem a lisura da eleição. Tenho conhecimento que diversos pastores, mesmo após o período para o julgamento dos recursos impetrados e da publicação do que deveria ser a lista definitiva, continuariam com os seus nomes excluídos, embora tenham feito todos os pagamentos devidos.

Parece que o jabuti começou a sair da árvore.

terça-feira, 5 de março de 2013

Por que a sucessão é um problema na AD?


A enquete ao lado, já encerrada, traça um quadro sombrio sobre como tem sido a percepção dos membros de nossas igrejas quando o assunto é sucessão pastoral. Embora não tenha rigor científico, como sempre reitero, foram 575 votos das mais diferentes partes do Brasil, o que nos permite fazer uma análise bastante real da situação. Para facilitar, repito aqui os dados:

1) 355 votantes (61%) acham que o problema é o apego ao poder.
2) 138 votantes (24%) acham que é o interesse em passar para o filho ou genro.
3) 41 votantes (7%) acham que está no temor da nova geração.
4) 22 votantes (3%) acham que se trata de desconfiança do sucessor.
5) 19 votantes (3%) acham que é medo de ficarem desamparados.

Creio que os líderes de nossa igreja deveríamos parar um pouco para pensar sobre o tema, pois as nossas atitudes, regra geral, estão tendo diferentes interpretações do rebanho - bastantes desfavoráveis até - que, talvez, possam não refletir o que, de fato, vai em nosso coração, embora, em muitos casos, seja visível a predominância dos dois itens mais votados da enquete: apego ao poder e interesse em passar a titularidade do pastorado para o filho ou genro. É importante que cada um veja em que condição se encontra, sem que isso nos tire o direito de "passar a limpo" esse desafio que tão de perto nos afeta.

No primeiro item não há muito o que discutir. O apego ao poder é danoso ao rebanho e se torna uma porta larga para a prática de tantas irregularidades que - um erro aqui, outro acolá - tornam cauterizada a consciência do líder que assim lidera. Ele só se mantém no cargo pela força do seu autoritarismo ou mediante a forma verticalizada em que a liderança é exercida através daqueles que recebem benesses para sustentá-lo na "cadeira papal". É um "colégio cardinalício" oficioso dentro da igreja. O que importa é construir e manter o império. A conversão dos pecadores é apenas um detalhe. Esquecem-se que a Igreja é de Deus.

No segundo item temos de considerar duas vertentes: a primeira tem a ver com o apego ao poder. O medo de que o comando da igreja caia em mãos de terceiros faz com que logo se prepare o filho ou o genro para comandar o "grande negócio" e, assim, manter tudo dentro de casa. Mas temos de olhar o outro lado da moeda, que pouco foi citado na enquete, e tem a ver com aqueles pastores que se gastam como verdadeiros sacerdotes, mas pouco se preocupam com o futuro. Quando chega a hora de passar o cajado, o medo de ficarem desamparados os leva ao mesmo comportamento: preparar o filho ou o genro para assegurar, pelo menos, uma velhice tranquila.

Creio que os itens três e quatro acabam embutidos nos demais. De qualquer modo, o temor da nova geração sempre existirá. É um conflito permanente que só se acentua se a geração anterior não souber lidar com este processo irreversível, deixando de bem preparar os seus substitutos. A desconfiança do sucessor, por sua vez, pode ocorrer pelas razões há pouco explicitadas. Não é fácil abrir mão do poder se ele lhe traz benefícios, como também é difícil passar o bastão para alguém que, lá na frente, não terá escrúpulos em pisar sobre o antecessor jubilado. Com isso, muitas transições se tornam traumáticas e se não produzem reviravoltas maiores se deve ao fato de o povo assembleiano levar muito a sério a questão do respeito à autoridade.

Entre outras, três coisas a ponderar:


1) Bom seria se pudéssemos voltar há algumas décadas, onde a permuta de igrejas entre pastores era bastante comum. Parece utópico, mas não custa nada sonhar. Isso traz oxigenação, renova as energias, ameniza o desgaste, apresenta novos desafios e rompe com a possibilidade da eternização do pastor em um só lugar, criando para si um império particular. Cito como modelo apenas dois exemplos. O primeiro, Alcebíades Pereira de Vasconcelos, que começou no Piauí, onde passou por algumas igrejas, foi pastor em São Cristóvão, RJ, Belém, PA, e, por fim, em Manaus, AM, onde foi chamado ao descanso eterno. O outro é o do pastor José Pimentel de Carvalho, que pastoreou em Valença, RJ, foi co-pastor em São Cristóvão, RJ, dirigiu a AD da Penha, no mesmo Estado, e terminou os seus dias no pastorado da AD em Curitiba, PR. No modelo de hoje nenhum deles teria essa oportunidade. Os estatutos das igrejas, geralmente, não permitem.

2) Penso, também, que as Assembleias de Deus no Brasil precisam passar por uma reforma eclesiástica, visto que o que temos é um sistema híbrido. Numa região funciona de um jeito, noutra de outro, sem um mínimo de padronização. Muitos consideram utópica essa proposta, mas muitas coisas boas que hoje experimentamos nasceram da "utopia" de alguém lá atrás. O Novo Testamento sempre privilegiou as igrejas locais, sem essa hierarquização que hoje conhecemos. Quem dava amálgama a elas eram os apóstolos. A verticalização só começou a surgir em décadas posteriores e tomou a forma que hoje predomina na herança católica após a constantinização da Igreja. O que temos é um arremedo da mesma hierarquização, onde se começa como diácono, depois se vai a presbítero, daí a pastor, para então, tornar-se pastor supervisor e, por fim, se calhar, pastor-presidente. Sei que essas mudanças não são de curto prazo, mas acho que vale a pena começar para o bem do rebanho.

3) Entendo, por outro lado, que filhos de pastores (ou genros) não devem ser estigmatizados, como se não pudessem, também, ter a vocação pastoral. Esse é outro extremo. É óbvio que nem todos a têm e, por isso mesmo, não podem ser empurrados goela abaixo da igreja. Conheço alguns que levaram o trabalho à ruína. Ministério não é hereditariedade, como no Antigo Testamento. Mas aos que são chamados não lhes podemos negar o direito de se aprimorarem na vocação. Muitas vezes são os que menos querem, pois conhecem as lutas que o pai, como verdadeiro sacerdote, experimenta e não desejam trilhar a mesma senda. Mas quando Deus chama, não há saída. Ou obedecem ou sofrem as consequências. Em casos assim não é preciso forçar a barra porque a igreja percebe o chamado. Em outros, o filho acaba por não ficar na mesma igreja, pois Deus o leva para algum lugar distante para, ali, desenvolver a sua vocação.

Enfim, espero de coração que a enquete nos ajude, como igreja, a refletir sobre o problema da sucessão e a encontrar o equilíbrio necessário para que o rebanho sempre saia fortalecido em momentos de transição. E que tenhamos de Deus o senso de saber a hora de pararmos.